Impacte dos desenhos animados na sociedade

  • Desenhos “mal-animados” prejudicam dieta das crianças

Os heróis da televisão, nomeadamente os de desenhos animados, têm um impacto negativo nas crianças, no que diz respeito a hábitos alimentares. É pelo menos essa a conclusão de um estudo realizado por uma empresa de distribuição alimentar, do Reino Unido, e recentemente divulgado pela BBC.

De acordo com a investigação, cerca de dois terços das pessoas inquiridas indicaram os “Simpsons” (uma série de desenhos animados que também é exibida na televisão portuguesa), em particular a personagem Homer Simpson – famoso por gostar de donuts – como um dos exemplos que promovem maus hábitos alimentares.

Por outro lado, o estudo salienta que muitos pais admitem ceder às vontades dos filhos, comprando-lhes os seus alimentos favoritos. Perante estes resultados, a empresa que realizou o estudo refere que a ideia que a televisão influencia as crianças não é nova, “mas o impacto que tem nos comportamentos alimentares é surpreendente”. Acrescentando, ainda, que é necessário criar novos e credíveis modelos que possam ajudar numa campanha para uma alimentação mais saudável, uma vez que a obesidade infantil na Europa atinge valores muito elevados.

Em Portugal, que ocupa o segundo lugar da obesidade infantil na Europa – muitas vezes explicada mais na falta de actividade (várias horas à frente da televisão) do que propriamente pelos hábitos alimentares -, nunca foi realizado um estudo sobre a influência que os comportamentos alimentares dos heróis da TV têm nas crianças.

Homer Simpson

 

Popeye


  • Desenhos animados de acção

Em geral, as crianças começam a ver Desenhos Animados aos dois anos. Aos 6, aproximadamente, 90% das crianças já são clientes habituais da Televisão. Entre os 6 e os 11 anos são as situation comedies (sit com) que vão conquistando os seus favores.

As crianças mais novas vêem os desenhos animados porque eles são “codificados” de uma forma nítida, isto é, cada acção é sublinhada por efeitos sonoros particulares, que visam ajudar a sua compreensão e captar a sua atenção. E, como a atenção das crianças tem dificuldade em fixar-se, os códigos sonoros vêm ajudá-las a estar atentas. Na maior parte do tempo, se a atenção das crianças tem dificuldade em fixar-se é porque o conteúdo dos programas não lhes é totalmente compreensível. As crianças captam apenas uma parte do que vêem. Não conseguem compreender as sequências longas; as motivações e intenções dos diferentes personagens escapam-lhes em parte. Mas, sobretudo, não são capazes de fazer deduções nem de compreender o que está implícito.

Quando assistem a cenas de violência, por exemplo, é provável que incluam à sua maneira que “é o mais forte que tem razão“. Em contrapartida, têm dificuldade em compreender as mensagens mais subtis e em perceber que certas acções são mais justificadas do que outras. Inversamente, compreendem sem dificuldade que se obtém o que se pretende quando se detém o poder. Esta mensagem é ainda mais marcada nos Desenhos Animados “de acção e de aventura“, que substituíram os espectáculos gravados em directo que, numa determinada época, constituíram os programas destinados às crianças. Demonstrou-se amplamente que a quantidade de violência presente nestes era consideravelmente mais elevada do que nos programas destinados a adultos em horários de grande audiência. Um estudo recente revelou que havia, em média, 25 actos de violência por hora nos programas infantis e apenas 5 nos programas de grande audiência. Os desenhos animados “de acção e de aventura” relatam, de facto, “questões de poder”. Influenciarão estes programas o comportamento das crianças? Centenas de pesquisas, realizadas a partir dos anos 60 – estudos experimentais em pequenos grupos de crianças, bem como vastas investigações efectuadas em meios diversos, utilizando técnicas muito variadas -, convergem na conclusão de que as crianças que vêem muita Televisão são mais agressivas do que as que vêem pouca.

Os espectáculos violentos não afectam apenas o seu comportamento, mas também as suas crenças e valores. Por exemplo, em geral, as crianças que vêem muita televisão temem mais a violência do mundo real. Em contrapartida, outras ficam insensíveis a essa violência; choca-as menos e reagem a ela com menor intensidade. Por outro lado, os programas destinados às crianças apresentam os homens e as mulheres em papéis estereotipados, acabando as crianças que estão habituadas a passar horas em frente à Televisão por reproduzir esses esquemas.

Existem alguns Desenhos Animados, cujos conteúdos são altamente violentos. Deste tipo encontram-se o “Dragon Ball“, o “Pokémon” e os “Power Rangers“.

O Dragon Ball trata da história de uma personagem, o Songoku, que tem como missão lutar contra os seres do mal, que pretendem invadir a Terra ou destruir outros planetas. Esta personagem, bem como os seres do mal são dotados de força e possuem poderes sobrenaturais. Antes do confronto entre as personagens do bem e do mal, a personagem principal, Songoku, terá de fazer treinos, que consistem em lutas marciais, para melhor poder enfrentar as personagens más. Nas lutas, os poderes sobrenaturais e a força são frequentemente evidenciados. Depois de passar grandes dificuldades, o bem triunfa sempre sobre o mal.

Em relação ao “Pokémon“, poder-se-á dizer que os pokémons são pequenos monstros que habitam a ilha de Pokémon. Têm ataques especiais e mágicos que podem usar contra os seus adversários numa luta de pokémons. A história começa quando um rapaz de 10 anos chamado Ash Ketchum da cidade de Pallet recebe o seu primeiro pokémon, sendo o seu grande sonho tornar-se o melhor treinador de pokémons do mundo!

Por fim, os “Power Rangers” consistem na história de um grupo de 5 adolescentes que foram confiados na tarefa de proteger a Terra das ameaças de extraterrestres do Espaço. Estes adolescentes usam dispositivos conhecidos como Morphers, que lhes dão energia para se transformarem em Power Rangers. As crianças são cativadas pela fantasia das lutas ninja e pelo poder dos protagonistas.

Os Power Rangers têm como função salvar a Terra dos vilões do mal. Quando algo falha, estes juntam-se para formar máquinas de combate ainda mais poderosas. Em cada episódio os Rangers estragam os planos ao inimigo e tornam-se como heróis para as crianças.

Pesquisas efectuadas acerca destes Desenhos Animados afirmam que estes novos heróis não são modelos apropriados para as novas gerações, que são muito influenciáveis. Os Power Rangers são seres humanos actuais que vão à escola e tem, aparentemente, vidas normais. Pelo facto de serem reais e não cartoons animados como, por exemplo, o Superhomem, é grande a sua influência nas crianças que esperam poder ser exactamente como eles. As crianças da geração dos Power Rangers imitam os movimentos das lutas ninja e batem nos rapazes que consideram maus, dando pontapés e murros. Os Power Rangers não só dizem aos miúdos que as lutas são aceitáveis, como também lhes dizem que as lutas resultam.

Havendo crianças a tornarem-se dessensibilizadas da violência física em idades precoces da sua vida, elas começam a desenvolver uma tolerância a esse tipo de violência e precisarão de cada vez mais violência para serem entretidas.

 

  • Desenhos animados como instrumento de ensino

 

É interessante observar como os processos culturais vêm transformando a sociedade, banalizando conceitos antes significativos e referentes à ética, à moralidade e à educação. Os estereótipos produzidos pela cultura de massa confundem-se com nossa realidade, agora tão virtual.

A sociedade depara-se com muitas informações. As subjectividades produzidas pelos produtores de massa manifestam o seu poder a cada dia que passa, mostrando quem manda num mundo de falsas ilusões poéticas. Hoje, a educação depara-se com alunos com interesses diversos pelo conhecimento num contexto social complexo que envolve pais, professores e Estado. De fato, existem pontos de vista diferentes em relação às ideologias de Walt Disney e sua concepção de mundo. Porém, a análise fílmica dos desenhos animados de Walt Disney ou de outra produtora podem interferir na formação da identidade. Sua ideologia sobre o bem e o mal vai além da ética e moralidade impostos pela sociedade; suas ideias transmitiram durante anos uma visão sobre o comportamento humano e desejos subjectivos.

É visível que a educação necessita de novos meios para garantir a interacção e a formação de identidade do cidadão na sociedade. Enfim, as ideologias contidas nos desenhos animados e as suas representações socio-artísticas e culturais são relativamente relevantes para o desenvolvimento infantil. Embora existam aspectos negativos, a maioria refere-se ao quotidiano vivido em sociedade. Por fim, ressalta-se o grande potencial dos desenhos animados como forma de aperfeiçoar o desligamento e a representação para a inclusão do indivíduo na sociedade e na formação da sua identidade. Julga-se por meio de várias opiniões que os desenhos são fontes facilitadoras de aprendizagem, tanto para o bem como para o mal.

A indústria cultural alcançou o seu espaço nas vidas de seus espectadores, reforçando suas ideologias. O poder que a mídia tem sobre as pessoas é relevante. Sendo assim, por que não usar esse recurso na educação? É ai que entra a arte cinematográfica: as imagens em movimento falam por si, demonstrando que por meio delas é possível transmitir ideologias, crenças, costumes, hábitos e todo o processo cultural do ser humano. As divergências existem, cabe aos educadores administrar.

Enfim, as narrativas, subjectividades e ideologias encontradas em contextos fílmicos são de grande importância para a formação do carácter humano.

3 respostas

7 01 2010
ramaura

Olá! Adorei seu blog, achei suas palavras de muito bom gosto!
Arrasou!!!

2 03 2010
Paulão

Oi galera, porrada de bom cara!
Ótimo!

(Passe pelo meu blog)

2 03 2010
Paulão

Esqueci o endereço, droga!!!!!!!!!!!

http://webrazukaspcteam.blogspot.com/

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